4.3.06

Formação

De repente, se viu fazendo parte de uma nova família, por quem daria seu sangue.
Enquanto olhava todos aqueles garotos enfileirados e perfeitamente em ordem, pensou na bagunça do seu quarto, nas revistas junto do computador, o edredom torto na cama, a Tv ligada, o som também, o video-game idem, para a loucura da Mãe. "O jantar está na mesaaaa, vem antes que esfrieeee!
Podia até ouvir a voz dela no fundo da sua memória. Aquela recordação tinha cheiro de frango assado com batatas e som de talheres batendo contra o prato.
Mas tudo que ouvia agora era o silêncio e o que via eram garotos como ele num grande pátio, todos a espera de um comando. E não poderiam sentar onde quisessem, tudo ali possuia uma hierarquia, pedir licença era a palavra de ordem, do mais novo ao mais velho.
Na sua casa era o queridinho, o futuro campeão de tudo, ali era apenas um mero e quase invisível iniciante.
Às vezes, perguntava-se o que mesmo fazia naquela Academia? Poderia estar na faculdade como os outros, perto da namorada, da família, dos amigos. E lá estava, lavando banheiro, acordando no escuro, comendo na hora cronometrada.
Em outros momentos tinha tanta certeza que chegava a ser um alívio e se segurava nela para poder suportar a pressão.
Pressão de não decepcionar os pais que tanto colocavam espectativa, que precisavam de sua futura estabilidade.
Pressão de saber que sua namorada, ao contrário dele, estava livre, podendo ser cantada por qualquer carinha mais bonito, mais fortão.
Pressão por não poder mostrar-se fraco, quando os braços doem nos exercícios;
Quando dá vontade de implorar "só mais cinco minutinhos";
Quando a aula de física está terrivelmente chata gostaria de poder dormir como fazia no colégio, nas madrugadas de serviço, às vezes, sonhava com ficar simplesmente vendo o "tele cine" na TV. Mas quando tudo parece tão difícil, chega uma mensagem da namorada, um alô por telefone, um abraço de um amigo que acaba de fazer.
Ele descobre, então aos poucos, que está numa família.
***
p.s: Meninas, obrigada pelos comentários, eu é que fico emocionada!

2 Comments:

Blogger Lucy said...

Lindo, simplesmente, lindo o tema, as mensagens... enfim, tudo. Eu chorei assim que comecei a ler a primeira frase desse texto. E prossegui chorando em todas as outras... o texto sobre a espera no aeroporto foi de intensa identificação (foi o q ocorreu nas últimas férias).

Eu gostaria de conseguir descrever o q sinto desse jeito, mas... não consigo pensar mto sobre isso pq, invariavelmente, eu choro e não consigo deixar clara a mensagem do texto. Limito-me à contemplação da minha dor e sofrimento, lendo textos como o seu e mensagens de amigas (tão próximas, mas tão distantes fisicamente), na esperança de encontrar alguém q descreva o q estou sentindo, e assim eu sinta q alguém desabafou todo o meu sofrimento para o mundo. Assim, eu me sinto aliviada... como se tivessem feito justiça à mim e expressado td o q eu gostaria de gritar... e assim, espero a dor passar. =)

Eu quero te agradecer em nome de todas as namoradas, noivas, esposas... parentes e amigos íntimos dos militares. Com ctz, vc ajuda bastante, dando força e exteriorizando aquilo q não sabemos como dizer... é como diz uma canção: "Espírito Santo, ore por mim, use as palavras que eu necessito usar mas não consigo..."

Vc usa as palavras q necessitamos usar, mas não conseguimos... Eliane, muito... muito obrigada!!!

Bjos, que Deus te abençoe e te guarde!!! =) (Lucy)

domingo, março 05, 2006 12:30:00 PM  
Anonymous Luciana Maria(Luma) said...

Bom mais um texto que amei, como todos aqui! Hoje to meio triste, angustiada, keria estar em resende mas naum pude como assim neh!!! To aki sendo amortassada pelas minhas lagrimas, mas eu supero! rs*
Esse texto vindo do ponto de vista dos meninos foi td...com certeza tudo o que pensam...se mostram fortes p nao nos magoar e muito menos desapontar...sem saber que amamos eles com todos os defeitos e qualidades de qq ser humano!!!!

domingo, março 05, 2006 5:38:00 PM  

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